Pra me auto-afirmar fiz uma canção de ninar.
Fiz fotos coloridas, invertidas esperando a dor passar.
Fiz poses, amores, louvores pra me adorar,
Para enfim, talvez, me amar.
Me amei!
Casei-me comigo mesma.
Fiz planos, sonhos e desejos.
Escrevi histórias
E comi muitas maçãs,
E nutri a ilusão vã
De que um dia encontraria
O meu bon-vivant.
Mas não encontrei,
Encontrei a solidão
Minha velha amiga de balcão
De bar, de estrada e de escada.
Na escada rolante, ela sempre me enrolava.
A danada insistia em me abraçar
Em me beijar
Em acariciar os meus longos cabelos dourados.
E dizia, sem o menor cuidado,
Que este era o meu fardo!
Mas eu disse não!
Disse que ouviria o meu coração
Disse que ali morava alguém maior
E que não me deixaria ficar na pior.
Alguém que consolaria a minh’alma,
Bastaria apenas eu permitir
Que essa dor horrível fosse embora.
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