Vejo os lençóis estirados. Pendurados naqueles varáis.
O vento está cortante, e em breves instantes ele entra em fúria,
e com toda bravura decide derrubar os lençóis.
Os lençóis, apavorados, se agarram com todas as suas forças naqueles barbantes. Naqueles arames em que estão pendurados.
Revoltados, os lençóis dão um brado. Dão um brado retumbante. Dão um brado gritante!
Impactante, eles conseguem se segurar nos barbantes.
Eles se unem. Unem suas forças. Unem suas idéias. Unem seus sentimentos.
Unem-se por inteiro! E inteiramente se dedicam nessa difícil empreitada.
Nessa difícil estrada.
Enquanto os lençóis estão unidos. O vento está munido de raiva.
Munido de inveja pela união dos lençóis, e decide, assim então,
fazer um grande furacão. Um furacão imenso, um furacão intenso.
Um furacão tão tenso que está fazendo nesse instante todos os barbantes caírem!
Os barbantes, que são os próprios varáis, estão caindo, estão chorando..
Estão suando, estão pingando.. O suor é tanto que chega a ser visível nos lençóis..
As gotas de suor caem no chão. Caem aqui, em minhas mãos. E eu choro e torço pela vitória de ambos. Torço para que o vento corte o meu rosto, e torço para que os lençóis aceitem enxugar as minhas lágrimas.
As minhas lágrimas correm pelas minhas mãos. E com grande emoção eu olho para o vento, e ele atravessa minha face. E nesse enlace eu me deito no chão. Seguro a terra firme.
E firmemente o vento decide ir embora, decide dormir agora.
E nessa hora, os lençóis começam a cair um por um sobre mim.
E assim eu sorrio para eles, pois eles se renderam por mim. E escolheram enxugar as minhas lágrimas e me aquecer nessa noite fria. E eu muito contente por suas companhias, os deixo apenas descansarem da luta. Da bravura e angústia que passaram. Que cansaram. E que agora só querem descansar, sobre os doces sonhos dessa criança.
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